domingo, 12 de janeiro de 2020

Andanças...



Olá amigos!
Há algum tempo não publico nada, e não tendo a vaidade de achar que isto em alguma coisa afetaria a alguém, nada expliquei sobre a ausência. Mas a espiritualidade me intuiu que seria mais ético e educado fazê-lo, por isso aqui estou.
Já há tempos sentia-me sem inspiração para escrever, e para não tornar-me repetitiva e passar a escrever textos sem qualidade, já me sentia disposta a parar de aqui postar, e o súbito falecimento de meu pai veio a desencadear este desligamento mais depressa. Apesar de crer firmemente que seu espírito está vivo e bem, o baque da perda do convívio com uma pessoa amada é muito forte e desencadeia reações em que repensamos nossas vidas.
Minha mãe ficou profundamente abalada, e desde então tenho redobrado atenção a ela, bem como tomei para mim atribuições práticas que antes eram do meu pai, o que me toma boa parte de meu tempo. Assim, penso que dificilmente voltarei tão cedo a escrever-lhes. Mas não deixarei nenhum adeus definitivo, pois a vida ensina que nada devemos dar por definido, mas que serenamente aceitemos as mudanças, pois elas vêm para ensinar lições preciosas. 
Expresso minha imensa gratidão por toda a atenção a nós dispensada nestes dez anos de blog...e desejo a cada um o melhor!

P.S.: Ghost acompanhou-me por solidariedade nesta "debandada" do blog, porém sempre falei-lhe que poderia continuar escrevendo...pois sei que ele gosta de escrever, e sente-se bem assim o fazendo.

Um sereno ano de 2020 a todos, e um carinhoso abraço

Bíndi



terça-feira, 21 de maio de 2019

Alma-Mãe


Alma-Mãe

Mãe, que me deu o pensamento
Que me ofertou os sentimentos
Que fez de mim, parte de si
Mãe sublime, que guarda a divindade viva em sua luz

Nave-mãe de meu espírito tão pequeno, necessitado de teu colo e abrigo
Querida fonte de mim mesmo, sou um pedacinho pequeno de teu imenso amor
Luz divina, de teu útero nasci
Me ofertaste irmãos queridos, separados  pelo tempo e pela distância

Irmãos que reconheço no olhar, no afeto dos sentimentos que se afinam
Mas de tudo que sou, querida mãe...não supre a solidão e a saudade do lar
Multidões não me domam o coração, teorias não explicam tua origem
Mas meu coração te sente como a fonte de mim mesmo

E ao visitar-me anjo amado, trazes nos olhos de mulher...o amor que me faz voar e sorrir
Esperança que se renova em minha milenar existência
Abraço caloroso que me faz derramar o pranto dos que amam
Me dá tua pele e teu corpo em forma feminina, te faz canção e poema pela voz dum lindo amor

Então meu coração voa...te dedico em declaração sublime, meu destino, meu princípio e meu fim
"Junto a ti alma querida, encontro a luz dos sonhos meus, dos encantos que procurei, trazes em tesouro mais raro...o amor dos dias meus, mandaste um pedacinho de ti para mim, como quem diz: venha unir-se em mim...
No andar, na fala e no carinho, sei que és tu que me chama e guia, querendo mais amor, querendo mais luz, me espera para subir ao absoluto encontro com a criação.

Sob a emoção de teu lindo olhar me calo em pranto poético, abraçando teu coração e dizendo-te no silêncio duma canção: Sou teu filho, sou você, unindo nossos laços eternos pelo amor doutra partícula de tua essência, entrelaçada pelos laços invisíveis da atração dum homem  pela mulher que me domina o coração, sem nada dizer, senão: sou parte de vc e seguimos para nosso lar num amor eterno, além da vida, do corpo, do sexo, do tempo...só por amor...vem buscar-nos, mãe...somos teus."

Ghost

Amadeo Minghi - Notte Bella Magnifica

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Maria Luna, Luna Maria


Maria Luna, Luna Maria

Luna limpou o vestido sujo de chocolate e correu para acudir a filha menor, enredada com o brinquedo novo, enquanto ouvia o maiorzinho clamando por ela no quarto...a casa estava ainda uma bagunça da noite anterior, mas havia valido a pena, pois a família jantou satisfeita a comidinha caseira e assistiu juntinha no sofá o filme no dvd...

Havia ainda muita roupa por lavar, o almoço por fazer, o banho das crianças, a limpeza do pátio onde os cães correm soltos e faceiros...ela encara com alegria a vida que escolheu, satisfeita em sua faina diária, sentindo-se plena em fazer o que sente que nasceu pra fazer...

Então vê passar Maria, a vizinha do lado, e a cumprimenta...e uma sombra cai sobre o dia: Maria é independente, livre, tem um lugar na sociedade, onde é importante e útil em sua profissão, é o que todos dizem...deve ser muito feliz...

Será...será que eu sou mesmo feliz?


   ۩  ۩  ۩  ۩  ۩



Maria deixa de lado o smartphone, certa de ter ajudado o colega de trabalho a resolver o problema...bom poder usar a tecnologia e mesmo de casa resolver pendências, ótimo estar na profissão que escolheu e pra qual sempre sentiu vocação...liga para o namorado, moram em casas separadas mas estão sempre juntos, num relacionamento cheio de amor e carinho. Ele a surpreendeu na noite anterior fazendo o jantar em sua casa, assistiram filmes até a madrugada, depois foram ver o sol nascer, despreocupados de tudo...Ela optou por não casar nem ter filhos, nunca sentiu a urgência do instinto maternal lhe cobrando isso, e então simplesmente seguiu seu coração vivendo como sempre quis viver.

Ela encara com alegria a vida que escolheu, satisfeita em sua faina diária, sentindo-se plena em fazer o que sente que nasceu pra fazer...


Então vê passar Luna, a vizinha do lado, e a cumprimenta...e uma sombra cai sobre o dia: Luna é mãe, tem outros seres humanos aos seus cuidados, tem um lugar na sociedade, onde é importante e útil em sua missão, é o que todos dizem...deve ser muito feliz...

Será...será que eu sou mesmo feliz...?


۩Bíndi۩ஜ

Imagem: br.pinterest.com

(Gostaríamos de dizer, ainda que talvez não mais necessário fosse, que nem tudo o que escrevemos tem a ver com nossas vidas ou personalidades. A licença poética nos dá a liberdade de escrever sobre coisas que vemos, virtudes que não temos mas almejamos, sobre a vida das pessoas ao nosso redor e até mesmo pessoas "imaginárias", em suma, sobre a vida, que é abundante e rica a ponto de inspirar sempre.)


terça-feira, 2 de abril de 2019

Se Hoje Choras



Consola-te alma amada...a luz virá tb à ti 
Compreenda a utilidade da dor que hoje te aniquila em desespero 
Choro contigo em prece, implorando ao Pai a tua vitória 
Um jardim de luzes te espera, alma irmã... 

Deus te guarda a alma bendita, lapidando o precioso diamante 
O invólucro de carne é a desculpa para te tornares luz 
Sei que mal compreendes o que te rogo...tua dor é tamanha 
Mas tamanho é o caminho que te aguarda 

Rompes barreiras seculares, tens a força do universo 
Tantos ódios substituis por lágrimas 
Tantas lágrimas se tonarão preces 
Tantas preces se farão caridade 

Os que hoje já choram com a dor, são os escolhidos do Amor 
Não importam razões, a causa de Deus é Suprema 
Divina é a alma agraciada com a vida física 
A solidão, essa te faz raciocinar, preâmbulo da intuição que te une ao sentimento 

Não posso tocar-te a face, mas posso abraçar-te de coração 
Não posso extinguir teu sofrimento, mas posso rogar por vc 
Não posso secar tuas lágrimas, mas posso repartir contigo o pranto 
Não posso anular tuas provas, mas posso falar-te da luz que elas te trarão

Dê-me o sorriso de ver-te vencer sombras que passam alma querida, és a semente da flor do mais belo jardim 
Cura teu medo com a visão do eterno, tudo passará 
Ajuda-me a ser luz, ensina-me da tua grandeza de lutar 
Aceita o tempo de Deus que tudo cura 

Vença provas e dores 
Permanece no caminho 
Que Deus te proteja e ampare, na escalada bendita.

                                                                           Ghost

What a Wonderful World | Playing For Change/ Vovô Elliott e corais de crianças de todo o mundo.

quarta-feira, 13 de março de 2019

As Brumas de Minas




O vento levanta mansamente as roupas no varal
Os canarinhos da terra salpicam de amarelo as laranjeiras
E no verde esmeraldino das lâminas do capinzal
Há uma nuvem multicor de borboletas ligeiras.
Ouvem-se ao longe marteladas e assovios trazidos pelo vento
A manhã vai alta, sol a pino, já pela hora do almoço
Em nossa cidadezinha modesta, minha modesta vida em andamento
Parecia jamais alterar-se ou sofrer qualquer alvoroço.
Um estouro súbito fez-me tirar os olhos dos meus doces de mel
Pensei num trovão...mas o sol de estio, altivo, ainda me espiava
Vizinhos gritavam, não compreendia as palavras ditas em tropel
Sequei as mãos ao avental à frente do fogão 
que brilhando como o sol sempre eu deixava.
Fui ao jardinzinho da frente, em minha varanda cor de açafrão
Mas nem um passo dei fora de minha casinha airosa
E algo violento e bruto, escuro e sujo me jogou ao chão
Arremessada eu fui contra paredes, móveis e tudo o que me circundava
Como um enorme liquidificador, aquela onda cruel me triturava.
Dói-me contar-lhes...ainda muito me dói. A alma triste, seca, revoltada...
Vejo bombeiros, voluntários, gente simples, pessoas caridosas
Afundando-se na lama para retirar pedaços
Pedaços do que foram pais, mães, filhos de famílias desditosas.
Passam bois, cabras, cães e gatos num redemoinho barrento
Pobrezinhos, de esgazeados olhos aflitos, a procurar alento.
Já eu, nada mais sinto em meu corpo que lá embaixo permanece.
Uma relativa paz vem envolver-me enquanto a revolta se esmorece
Quando um rosto muito claro, branco e rosa, de olhos líquidos de amor a fitar-me
Junto ao meu diz palavras de encorajamento...e tudo então se escurece.
Adeus, Minas...! Adeus, montanhas...! Vou-me para longe, mas rezarei por ti
Para que daqui a mil anos possa a natureza fazer-te esquecer tua desventura.
Lembrem-se de mim, anônima, em suas orações e pensamentos
E que este assassinato e todos os outros sejam cobrados à altura.

۩Bíndi۩ஜ




Música: Travessia - Milton Nascimento
Imagem: Pinterest.com

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Ser teu Anjo




Ser teu anjo

Quantas vezes nos prometemos eterno amor
Quantos ciúmes vencemos, até compreender que não há posse
Quanto nos afastamos para nos compreender como um só
Quanto perdemos de nós para saber que nada éramos

Cicatrizes, lágrimas, solidão, silêncio...compreensão
Voltamos sempre no silêncio, sem alarde, apenas nos reencontramos
Sinto-me humano, solitário, humilhado e perdido das ilusões
Tanto quis ser, tanto me desfiz para ser o vazio.

Foi no abandono das noites que chamei por você, sem respostas
Então me vieram as provas, destruído do que sonhei
Pouco a pouco me refaço, mas sem esperança mais
Apenas me faço menos denso, mais sólido em consciência.

Sinto que  há milhões de estrelas para poder ser o que pensei
Não tenho fé num Deus, mas aprendi que tudo é mais que o Deus proclamado
A impiedade humana, a dor necessária, rompendo os véus das "certezas"
Surge um ser de imaginação, desfeito, vazio...aprendo a ser só

Caminhando em meus amanheceres e anoiteceres
Luto, espero, a fé se esvai, onde está o anjo?
Vi  a arma apontada para um povo
Posso ser o povo, posso ser um colaborador, assim são os anjos?!

Então me vejo todos...os deuses que dormem!
Nesse oceano, me identifico com a gota que o compõe
Sem mim, haveria oceano, mas sem gotas...haveria oceano?
Simples então...só serei meu sonho, se a nudez do ego me despir!

                                               Ghost







Música: 

Lisa Gerrard e Hans Zimmer - Now We Are Free 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...