terça-feira, 22 de junho de 2021

Urgência


Vim sorrir contigo 

Pois de chorar estamos fartos

E sozinhos em nossos quartos

Fomos isolados da alegria

Vim abrir janelas

Porque as portas se fecharam

E rarefeito fez-se o ar

Se o fôlego nos tiraram

Chegado é o tempo de respirar 

Vim abrir meus braços 

E te guardar no peito em harmonia

Anjo meu, estamos tão carentes de abraços 

Famintos de silêncio e calma 

Tão cinza está lá fora

 Pega agora tuas tintas

Vamos colorir almas



Bíndi



Imagem: coopermiti.com.br

******P.S.: Era a vez de Ghost fazer uma postagem; mas como ele está enfronhado em projetos de trabalho, ocuparei interinamente seus espaços.******



domingo, 30 de maio de 2021

Parabéns por amanhã

 


 

Hoje a vida te mostra a sua face mais obscura
Amanhã te olharás no espelho e verás o rosto da vitória

Hoje teu arado sulca a terra seca e dura
Amanhã a semente germinada será coroa em tua trajetória

Hoje vergas teus ombros e te corta o vento do infortúnio
Amanhã, com a cabeça levantada, olharás o céu com esperança

Hoje tens a impressão de que nada vale a pena
Amanhã o sopro da tristeza fará parte da lembrança

Hoje na forja das provações teu coração e mente se incendeiam
Amanhã sentirás enfim a serenidade e júbilo

As trevas te perturbam, te cercam, te cerceiam
Mas mantenha-te em paz pois, no final de tudo,
És o teu último e único refúgio.

 

Bíndi

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Òsunmaré de Ifè

 


Aprendi que amar não é pecado
Amar alguém é amar uma representação de Deus
  
Tanto procurei fora de mim, quando encontrei algo...foi você.
Então me disseram que estava tudo errado, que o amor mora em mim mesmo,
Então procurei dentro de mim...de novo encontrei você.

E agora?! o que pensar?! 
Melhor sentir...
Esse amor que está fora e dentro, como o próprio Deus em  mim.

Quem quiser procurar fora e achar, que ache
Quem duvidar, que procure dentro de si
A resposta para o amor verdadeiro será a mesma

O amor é assim, é a própria divindade, infinita e incompreensível
Maravilhosa e sublime,  aproximando-se de nós pela compreensão
Nos trazendo a lei da atração, nos olhos de outro alguém, nos identificando pela afinidade dos pensamentos, até formarmos uma grande multidão de amor e paz.

Ame sim...ame com toda a força que o seu coração suportar
É assim que eu amo, assim  somos felizes, nos completando, não nos julgamos, nem tentamos mudar um ao outro, pois descobrimos que somos um, se somos um...como não amar a nós mesmos? pois nos completamos.

Se entregue para a sedução que essa pessoa lhe causa, não tenha medo de amá-la, veja em seus olhos, o amor não mente, não tenha medo de acordar pensando nela, de dormir com ela no pensamento, se você é correspondido, você acertou na loteria, essa é a alma companheira que te espera ao longo das existências, vocês se encontraram...isso é um milagre, viva esse amor, não espere o paraíso, pois o paraíso mora dentro de nossos corações, pode ser acionado quando amarmos alguém e por esse alguém recebermos o mesmo amor, falado no olhar, no silêncio, na distância, no abraço, na voz, no jeito, no andar, no sorriso. Ame!


Ghost
 
 
Origem da imagem: https://en.unifrance.org/

segunda-feira, 29 de março de 2021

Apuros de Prestimosa

 


 

Apuros de Prestimosa

                                                                                        Biografia de uma ficção
                                                                                                    Capítulo Um - e, talvez, único.

Chamo-me Prestimosa, de pai e mãe descendente de heroicas raças que pelo Brasil aportaram. Conto-vos minha história sabendo-me desde já sujeita a vexames e melindres - pois as opiniões são diversas e nem sempre serei recebida com aplausos. Previno-me então para alguns muxoxos desdenhosos, interjeições jocosas, risos abafados de escárnio; mas sei que em sua maioria, meus leitores talvez, até, reconheçam-se em alguma de minhas desgramadas patranhas.

Pois vou contar de como conheci meu delegado, lá no querido interior do Brasil, numa cidadezinha onde o vento faz a curva e o judas não apenas perdeu as botas como furou as meias nos pedregulhos dos caminhos sem pavimento. Cresci ouvindo o grito dos carcarás e o pio das corujas, numa casinha branca cercada de pés de araçá, carambola e ingá, e onde as laranjeiras em flor atraíam abelhas e pares enamorados que vinham suspirar ao pé do muro, onde escondiam bilhetinhos de amor.
Certo dia, tinha eu meus quatorze anos, e um infausto acontecimento quebrou a serena monotonia do lugar. Fomos acordados pelos gritos de meu pai, que ao amanhecer costumava, amorosa e diligentemente, alimentar suas galinhas de estimação. Pois naquela fatídica manhã chegou ele ao galinheiro e constatou que estava vazio como o céu dos católicos: suas amadas Ponciana,Tibúrcia, Carminosa,Ventoinha, Izidora e todas as demais estimadas penosas haviam desaparecido. Num correrio do demo, vasculhou-se cada canto e nada encontramos. Convocou-se o delegado.
Podem os ilustres citadinos, acostumados com uma rotina de bárbaros crimes pipocando todos os dias, estranhar o fato de requerer-se a presença de um delegado para um prosaico desaparecimento galináceo: mas é preciso que se esclareça que, naquele tempo e naquela cidade, crimes eram quase inexistentes, e a última vez de que tivemos notícia de um, foi quando os moleques da escolinha, desejosos de uma pescaria ao invés das aulas de moral e cívica, colocaram areia no tanque de combustível do velho fusca da professora.

Pois o delegado veio diligenciar; era ele novo na cidade, chegado há poucos dias, e desejoso de estrear em grande estilo resolvendo uma charada criminosa, apressou-se em averiguar, de bloquinho em punho, o álibi de cada morador das vizinhanças. Não pude deixar de notar que era ele bem apessoado e elegante de estampa e de gestos, e muito me entristeci quando fui posta para fora da sala onde ele e meu pai conversavam. Fechou-se a porta, e fui cuidar da vida; mas curiosa como um filhote de mico, não pude me furtar de assuntar, e dando a volta na casa, acocorei-me sob a janela para ouvir a conversa. O que ouvi meu pai dizer abateu-me mais que as urtigas pinicando o derriére:  
“Ela só tem quatorze anos, mas sabe lavar, passar e cozinhar, e como vossa excelência viu é bem apanhadinha. Por dois mil cruzeiros selamos o negócio e leva hoje mesmo, pois tenho mais quatro para encaminhar.”

Fiquei de queixo caído: nossa situação estava tão negra que meu pai me vendia, como produto de feira, em casamento? Corri dali antes de ouvir as risadas na sala, pois certamente era uma brincadeira entre adultos; mas passei o dia escondida entre moitas de dama-da-noite e a família toda esqueceu das galinhas para procurar-me. Quem veio a me encontrar foi ele, o pivô da situação, toda chorosa e já com saudades da família por me achar vendida e mal paga. Estendeu-me um branco lenço que encharquei de lágrimas, e ele beijou-me a mão dizendo que o coração não se compra nem se vende, mas se dá em bondade e devoção, amor e arrebatamento, e que o dele estava guardado para quem o soubesse espanar e tirar da prateleira onde se escondia esquecido do mundo. Pois digo que dali saí disposta a lustrar, lavar, polir e deixar fulgente e luzidio como sino de prata aquele coração que se mostrava sincero e arrebatado.
E sobre as galinhas...jamais soubemos o seu paradeiro. Consta que terminaram seus dias animando canjas na casa do Manoel das Cabras, o que nunca foi comprovado.

 

Bíndi

 

Crédito da imagem: Correio da Amazônia

quinta-feira, 4 de março de 2021

 


 
 
 
As asas se abrem, o voo está por iniciar...
Céus se mostram em cores e sons
O coração doce já não sente a harmonia
O silêncio se torna companheiro fiel

Do ninho, ficam as palhas...os pássaros voam além
Sem saudade de ninguém, outros irmãos, outra nação
A Samsara se movimenta num sussurro, num adeus
A música segue...a egrégora se mantém

Noutras paragens, noutras dimensões, acomodam-se no ninho
Vem o vento, balança a fortaleza...as asas se agitam novamente

Lá vão os pássaros, buscando a liberdade...num horizonte sem fim.

Ghost

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

A glória de amar

 


O meu corpo andava cego pelos prados deste mundo
Minha alma, na lembrança do teu amor, era meu guia
Vozes dissonantes me chamavam, na tentativa de perder-me
Mas meu espírito desperto, sem titubear, seguia.

Ventos sopraram sobre mim, irromperam tempestades
Areias escaldantes de invejas, prantos de ira,
Línguas prontas a minar minha vontade e mesmo assim
Havia algo a me chamar: teu coração, formosa mira.

 O mundo não perdoa o amor de almas, me disseste um dia
Pois vivo ao avesso deste mundo então, mas jamais desistiria
Da beleza de amar além do corpo, além da vida

Te encontrar foi um milagre pra quem se acreditava descrente,
Te amar foi mergulhar de corpo e alma na imensidão pungente
De um amor Eros e Filos, que por ti me abrasa, Alma querida!

Bíndi

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