segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Meu Silêncio



O tempo que passamos juntos, pode ter sido um segundo no tempo
Um tempo infinito na imensidão da eternidade

Eu sabia que você me daria mais vida
Pude ver você sorrir
Pude sentir o seu abraço
Pude lhe sentir mulher, a mais linda e doce mulher

Em todos os momentos eu me sentia num sonho
...e todo sonho traz consigo no final um despertar, para outra realidade

Assim tive que partir, querendo ficar
Tive que ver você se distanciar, querendo gritar "fica comigo"
Mas você já havia me dado muito mais do que eu achei um dia poder receber
Você me deu esperança, me fez feliz, me fez viver...

Meu silêncio não é esquecimento, tudo o que você foi pra mim...ainda é, sempre será!

Meu silêncio não quer dizer que lhe esqueci, não quer dizer que não desejo lhe ver a cada segundo
Meu silêncio quer apenas calar o meu grito interior, quer apenas sufocar o que tirou você de mim

Sempre foste o meu sonho mais lindo, desde quando não a via, mas já a desejava tanto!
Você nunca notou a lágrima escondida em meu sorriso, pois a luz que me trouxeste foi maior que a tristeza que hoje carrego!
Os dias passam como folhas de um livro sem letras, como um sol que se apaga esperando a noite cair
Assim a vida passa, passará...tudo passará!

Um dia voltará, um dia voltarei, numa outra vida reencontrarei o meu tesouro mais belo
Agora...a vida me passa, passo dela...como um passarinho caindo das alturas!

Esse é o meu silêncio, jamais será um adeus!

Ghost


domingo, 7 de agosto de 2016

Buscando...



Desejei ser sábia, ter nobre coração, 
e impregnei minha vida de meditações e teorias
Ouvi opiniões, entre elas, a de desaprender de tudo
De tudo desligar-me, desapegar dos sentimentos todos
e empreender viagem rumo acima, de maneira reta e fria.
Mas quanto mais eu procurava, mais e mais eu me perdia
pois os conhecimentos sobravam, mas a alma...era vazia.
E eu me senti tão pobre...
Sem amor eu nada era, sem amor eu nada seria, sem amar
não entendia nada do mundo, nada do mundo eu conhecia...

Pois que a única coisa que dá sentido à tapeçaria da vida,
não se encontra nos velhos e novos alfarrábios, 
livros sagrados, palavras, filosofias...

Foi junto com você, meu amor, que aprendi 
Que amar não cria laços, mas abre portas
Que não se perde a liberdade num abraço
e um beijo unindo dois corações não os separa
do resto da humanidade, posto que Amor
é feito da chama que vem da mesma e única Fonte
Só se aprende a amar amando...
E um ser douto mas desanimado, letrado que não ama e é mal amado
Levará do mundo umas poucas glórias, e um coração vazio.

Bíndi, inspirado pelo amor de Ghost





Créditos imagem: Vincent Bourilho

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Asgard




Pelo fio da espada e em nome de um deus
Fui defensor, agressor, soldado, guerreiro
Não havia amanhã, cada batalha seria um fim
Cada retorno um recomeço

A consciência coletiva anulava a individualidade
Mas em cada morte habitava a dor contida

Sempre em nome do reino, matava e morria
Sobrevivi ao tempo, após ser morto impiedosamente
No instante de meu desenlace, as cenas se misturavam
Não percebia o resgate benfeitor, apenas aceitava o destino cruel

A força de todos a quem atravessei a espada, residia num só homem
O amor já reinava em mim, entendia-o, mesmo percebendo a fúria em seus olhos
A impiedade que usei por dezenas de vezes me visitava
Tudo que me restava era a aceitação do resgate inconsciente

Hoje percebo o bem recebido pela punição do amor que deixei
As angústias contidas, ainda me fazem lutar, mas do guerreiro nasceu o mestre das artes
Da saudade me restou a busca pela sabedoria do entendimento
A fúria do selvagem me fez voltar inconsciente, despertando o amor em mim

Posso ter então a consciência que descia nas vitórias pela espada
Por milênios busquei a troca da fúria pela arte, controlando assim a alma sanguinária que me fazia matar em nome de um reino carnal

O desenlace me fez crescer, pois meu coração carregava um cansaço de tanto empunhar a espada para assassinar meu inimigo
Tantas vidas vivi, até os dias em que percebo que o bem daquela lança atravessando-me a carne, me trouxe luz, paz e descanso do martírio de matar

Há tanto a resgatar, do tanto que plantei...devo então refazer o jardim, replantando flores amassadas por meus próprios pés
Abençoo a espada que me tirou da inconsciência, abençoo a lança que me aflorou um sentimento que não conseguia entender...

Hoje sei que o amor maior às vezes nos mata uma ilusão, fazendo-nos renascer para uma nova luz
Pouco a pouco, o guerreiro dá a vez ao mestre, trocando o sangue pelo conhecimento, a fúria pelo despertar de minha alma para o amor que deixei um dia
Espere-me um pouco mais, pois manchei seu rosto com lágrimas e sangue
Busco ainda em mim o mistério que sempre nos uniu...

Ainda serei seu servo, pois em meu coração...és a sacerdotisa de minhas vidas, pois por ti sempre lutei pelos reinos, luto hoje para alcançar o seu coração
Aprendo a lhe servir pelo amor, jamais pelo sangue derramado outrora
Espere-me um pouco mais, soberana és em todos os meus destinos!

Ghost



segunda-feira, 4 de julho de 2016

Súplica dos Sonhos



Lapida-me em teus sonhos,
Névoa entre os braços teus
Tenho vontade de ti!
Quero ser mais que o devaneio
Mais que o sopro de um desejo...

Molda-me mulher de carne
Sopra em minhas narinas 
o bafejo da existência
Ergue-me sobre meus pés
Não mais ídolo de barro, 
ou musa de incertas marés

Pega-me pela cintura, em rodopios etéreos,
e então joga-me à terra: 
Quebra-me todos os ossos
Mas deixa-me sentir, mesmo que por uma vez,
A experiência de existir.
Cravarei meus dedos na areia, 
queimarei sob o sol de desertos
murcharei nas inundações
Pra sentir teu corpo em mim.

Depois deixa-me, se quiseres,
voltar ao teu mundo dos sonhos,
que desde sempre me acolheu
Escondida no inconsciente
de volta às sombras estreitas
dos mais ferozes desejos.
Sonha comigo, se assim queres.
Porém, não te enganes querido:
Eu sou o destino teu.

Bíndi 




*Imagem: Kaya Scodelario - Blue Eyes










sexta-feira, 10 de junho de 2016

Homônimos



Homônimos

Tudo é luz, sou o todo
Me vejo assim, sinto a divindade 
O futuro já foi transposto
O passado faz parte de mim e do que sou

Transpus a barreira do tempo, me projetei ao infinito
Me sinto dividido, mas sou o UM
Há duas faces em minhas lembranças
Uma é agora, a outra é a quem sinto que sou

Se me olharem não me vêem
Mas sou o que querem perceber
Então me procuram, estou aqui
Então não podem me ver, estou aqui

Estou aqui, estou lá, em toda parte...sou eu
Quando a onda vem, eu mudo de lugar
Eu sou o mesmo, me sinto assim, em várias faces
Me observo, me suicido, renasço, imortal sem morrer ou nascer

Percebo sombras em mim, assassino que trucida semelhantes
Impiedoso marginal, chefe de falanges malignas, sanguinário, violento
Verdugo e animal, vampiro sem passado, volto ao verme
Sumo de onde estou, imóvel, nascido da terra, cão feroz

Vejo um homem, a mesma face numa mulher, vi o universo ser feito
Pressinto sua transmutação
Sei que isso passará, mas ainda nem comecei
Me vejo assim, até onde posso projetar a consciência

Agora sou anjo, do mesmo verme nasceu a luz
Sou imenso, sou o amor, sou a paz, o sorriso e a bondade
Me excomungo com as palavras que seduziram nações
Sou o pacificador, porém o mesmo trucidador de outrora

Agora sou o homônimo de mim, estou aqui
Me pergunto então...quem sou?!

Ghost


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Descendência






Descendência

Só um momento, e já deixarei a sagrada nave
antes que a santa missa inicie seus ritos
Sim, eu já estive antes num local sagrado
Onde vi os fumos de oferendas se elevarem ao céu
e a glória de um irmão ser exaltada por Deus.
Muito longe já se vão as eras
em que este mundo era apenas o óvulo da vida.
Estávamos destinados a gerar os novos homens
que haveriam de lavrar os campos e construir cidades de paz
Esta seria a herança de meu irmão aos seus filhos bem-amados.
Porém, quem prevaleceu foi o Outro
O Malquerido, o Indesejado.
Ah...tanto tempo se foi e ainda sou ferido em minha mente
Pelas lanças pontiagudas de meu orgulho bastardo.
Hoje eu bem sei que a oferenda enaltecida
Não era apenas da ovelha a carne,
senão a própria carne de meu irmão.
Pois foi queimado por ele no altar do sacrifício
não o animal de seu rebanho, mas seu animal interior.
A fumaça subindo aos céus agradou o Criador
porque era feita do lento forjar de uma alma
queimando dentro de si a bestialidade dos instintos,
a ignorância, a pequenez, a agressividade, o ciúme e a gula
Ele imolou em si a fera e fez nascer o humano
E para ele a face de Deus voltou-se alegremente
Pois Seu filho amado compreendera o sacrifício exigido.
Eu, caí.
Mas foi minha a descendência que seguiu-se então
chegando aos dias de hoje, ao número de bilhões.
Quem seriam eles se fossem filhos de meu irmão?
Se não herdassem de mim a semente amarga da selvageria?
Consigo olhá-los com carinho, pois compreendo fundamente a sua imperfeição.
Hei de ajudá-los a reerguer os templos caídos de almas adormecidas
E passo a passo, em suas perturbadas vidas,
amansarem as feras de todas as paixões indignas para que a alma aflore.
Prometo esforçar-me para auxiliá-los, meus filhos, a burilar as rochas e acordar as pedras.
Eu, caí.
Eu, Caim.

Bíndi



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